A cobra fumou: um tributo aos Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira
Em breve seerá o aniversário do retorno dos pracinha brasileiros que lutaram na 2ª guerra mundial.
A postagem de hoje serve para homenagear os Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira – a FEB –, homens que atravessaram o Oceano Atlântico para lutar em uma guerra distante, mas cujos resultados afetariam o destino de toda a humanidade.
A Segunda Guerra Mundial começou em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha invadiu a Polônia. Em poucos meses, o conflito se expandiu pela Europa e, posteriormente, alcançou diversos continentes, tornando-se a maior e mais devastadora guerra da história.
Nos primeiros anos do conflito, o Brasil manteve-se neutro. Entretanto, a guerra aproximou-se cada vez mais do país. Em 1942, submarinos alemães e italianos afundaram navios mercantes brasileiros no Atlântico, causando a morte de centenas de civis. A comoção nacional levou o governo brasileiro a declarar guerra à Alemanha e à Itália em 22 de agosto de 1942. A partir desse momento, iniciou-se a preparação das forças brasileiras para o combate. Muitos duvidavam que o Brasil realmente enviasse tropas para lutar na Europa. Daí surgiu a expressão popular: "É mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra". Quando a FEB foi criada, a cobra fumando foi adotada como símbolo de orgulho e determinação dos combatentes brasileiros.
Entre julho de 1944 e fevereiro de 1945, cerca de 25 mil soldados brasileiros chegaram à Itália para integrar o esforço aliado. Eram homens oriundos de diferentes regiões do país, representando a diversidade do povo brasileiro. Ao lado deles, o 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira também participou das operações militares no teatro italiano. Os pracinhas foram incorporados ao Quinto Exército dos Estados Unidos e passaram a atuar na difícil Campanha da Itália. Enfrentaram um inimigo experiente, posições fortificadas, terreno montanhoso e um inverno rigoroso, condições muito diferentes das encontradas em seu país de origem.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em Monte Castello. Entre novembro de 1944 e fevereiro de 1945, as tropas brasileiras participaram de sucessivas ofensivas contra essa importante posição defensiva alemã. Após várias tentativas e significativos sacrifícios, a posição foi finalmente conquistada em 21 de fevereiro de 1945, representando uma das maiores vitórias da FEB durante a guerra.
Nas semanas seguintes, os brasileiros participaram de novas operações vitoriosas, incluindo ações em Castelnuovo, Montese e Collecchio. Em Montese, travaram alguns dos combates mais intensos de toda a campanha, enfrentando forte resistência inimiga em operações realizadas sob intenso fogo de artilharia.
Em abril de 1945, a FEB participou da ofensiva final dos Aliados no norte da Itália. Durante as operações na região de Collecchio e Fornovo di Taro, tropas brasileiras cercaram e obtiveram a rendição de uma grande força inimiga, capturando cerca de 15 mil soldados alemães e italianos. Essa foi uma das mais expressivas conquistas militares alcançadas pelas forças brasileiras durante o conflito.
A vitória, porém, teve um elevado custo humano. Ao longo da campanha, 467 militares brasileiros perderam a vida em operações na Itália. Muitos outros retornaram feridos ou carregando marcas físicas e emocionais que os acompanhariam pelo resto da vida. Seus sacrifícios jamais devem ser esquecidos. Em 8 de maio de 1945, a Alemanha assinou sua rendição incondicional, encerrando a guerra na Europa. A missão da FEB havia sido cumprida. Nos meses seguintes, os expedicionários começaram a retornar ao Brasil, onde foram recebidos com homenagens e reconhecimento popular.
A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial demonstrou a capacidade de nossos soldados de atuar com coragem, disciplina e profissionalismo em um dos maiores conflitos da história. Mais do que vitórias militares, os pracinhas deixaram um legado de patriotismo, dever e compromisso com a liberdade.
Ao recordarmos sua trajetória, homenageamos não apenas aqueles que voltaram para casa, mas também os que ficaram para sempre nos campos de batalha da Itália. Seu exemplo continua vivo na memória nacional e nos lembra que a liberdade e a paz possuem um preço que muitas vezes é pago com coragem, sacrifício e dedicação ao próximo.
Que a história dos pracinhas brasileiros jamais seja esquecida.
Aos heróis da Força Expedicionária Brasileira, nossa eterna gratidão, respeito e reconhecimento.
Interessante saber a história do lema: a cobra vai fumar.
Mesmo após o Brasil declarar guerra ao Eixo em agosto de 1942 (devido aos torpedeamentos de navios brasileiros por submarinos alemães), a criação de uma força militar para lutar na Europa demorou muito a sair do papel. O exército brasileiro era mal equipado, com doutrinas ultrapassadas e sem experiência em combate moderno.
Por causa dessa demora e das dificuldades logísticas, o povo brasileiro, a imprensa e até observadores internacionais começaram a duvidar de que o Brasil realmente enviaria soldados para as trincheiras europeias. Foi nesse cenário de descrença que surgiu um ditado popular nas ruas do país:
"É mais fácil uma cobra fumar um cachimbo do que o Brasil ir à guerra e lutar na Europa."
Nota histórica: Existe uma lenda urbana muito repetida de que o próprio Adolf Hitler teria dito essa frase. No entanto, não há nenhum documento ou registro histórico oficial que comprove que Hitler tenha dito isso. A expressão nasceu genuinamente do ceticismo popular brasileiro.
A reviravolta aconteceu em 1943 e 1944. Quando a Força Expedicionária Brasileira (FEB) finalmente foi estruturada, equipada (com a ajuda dos Estados Unidos) e começou a embarcar para a Itália, os soldados brasileiros decidiram se apropriar daquela provocação. Em vez de se sentirem ofendidos com o ditado que duvidava de sua capacidade, os pracinhas adotaram a ironia como uma identidade de combate. A lógica era simples: "Vocês disseram que a cobra teria que fumar para irmos à guerra? Pois bem, nós estamos indo. A cobra vai fumar!".
O lema rapidamente se tornou o grito de guerra não oficial, mas profundamente enraizado, das tropas brasileiras. Significava que o Brasil estava entrando em ação, que a brincadeira havia acabado e que o inimigo teria problemas sérios pela frente. O lema ganhou tanta força militar e moral que foi oficializado na identidade visual da FEB. O comando brasileiro precisava de um distintivo de braço (patch) para identificar suas tropas junto ao 5º Exército Americano na Itália.
O criador do emblema oficial da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi o então Tenente-Coronel Paulo Eurico de Senna Campos (que mais tarde chegaria ao posto de General).
Existe também uma ilustração muito famosa da "cobra fumando" com um traço mais amigável, clássico das animações da época. Este desenho foi criado pelos estúdios de Walt Disney.
Portanto, o brasão tático e oficial que os pracinhas levaram para as trincheiras nasceu das mãos do Tenente-Coronel Senna Campos, enquanto a famosa mascote animada que ajudou a popularizar o símbolo mundialmente foi obra de Walt Disney.
Criação do Disney
A cobra fumou.








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